
Reportagens
Terreiros de Umbanda e Candomblé serão
legalizados em mutirão
Religiosos estão reunidos em prol da legalização dos terreiros Foto: O Globo / Fabio Rossi
Há uma energia conectando os terreiros de umbanda e candomblé da região. Uma vontade que está levando os espaços à luz da legalidade. E os religiosos e seus orixás não estão sozinhos nisso: a Alerj, a Defensoria Pública e a UFF se reuniram em torno da missão de documentar todas as mais de mil casas de Niterói e São Gonçalo. Os processos serão realizados gratuitamente.
— Os benefícios vão além do desconto no IPTU. Você fica amparado em situações de violência, por exemplo, e tem fixado seus direitos e deveres bem claros. Além de fortificar a religião, fazendo parte das estatísticas — enumera o babalorixá Bira T’Omolu, que tem barracão no Jardim Catarina há 30 anos, legalizado em 2010.
Bira do Omolu, do terreiro Egbe Ilê Axé Baba Oluwaiye Foto: Thiago Freitas / Extra
A missão é antiga. Bira já fala da necessidade de apoiar os terreiros desde 2006, em parte pela própria experiência. Mas foi um filho de santo dele, o babalorixá Cristiano D’Oxóssi, que começou a gastar a sola do sapato.
— Comecei a percorrer diversas casas reunindo documentação, em 2010. Muitos terreiros são em fundo de quintal, barracões escondidos. Então o trabalho ainda não acabou — diz Cristiano, que tem terreiro no Fonseca, em Niterói.
A materialização do trabalho, no entanto, só está acontecendo agora. A primeira de uma série de reuniões para formalizar o processo aconteceu no último dia 28. A segunda será na próxima quarta-feira, na sede da Defensoria Pública, no Centro do Rio.
— A legalização não resolve tudo, mas, na ilegalidade, ficam mais vulneráveis — diz o deputado Carlos Minc, presidente da Comissão de Combate às Discriminações.


